Primeiro disco de Caetano no exílio completa 45 anos

Também chamado de London, London, álbum mostrou um Caetano amargurado por não estar em seu país

 

Em dezembro de 1969, logo após o AI5 atingir o Brasil como chumbo, a repressão da ditadura militar prendeu Gilberto Gil e Caetano Veloso. Privação da liberdade, interrogatórios e cabelos raspados. Assim terminou a década de 1960 para a maior dupla de compositores da MPB.

A acusação de desrespeito ao hino e à bandeira nacional que os milicos não provaram (mas tinham convicção!) fez com que, um curto tempo depois, os músicos fossem exilados. Por um período de quase três anos, ambos passaram os  primeiros anos da década de 1970 na Inglaterra. Lá, em Londres, vez em sempre se sentiam longe daqui.

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Caetano e Gil em um camarim na capital inglesa

Melancolia, brasilidade e baianidade de forma ultra inglesa. A capa do disco – que não, não foi fotografada em Castel Black – também conhecido como London, London não poderia retratar melhor suas músicas. Havia ali um Caetano quase apático de tanta tristeza no exílio. Produzido por Ralph Mace, a obra é o quarto LP do cantor e um dos mais fortes de sua carreira.

Na parte instrumental, uma pré-concepção do que seria Transa (1972), seu segundo disco gravado no Exílio. O baiano evoca a saudade de sua terra a cada música: a tristeza escancarada em “A Little More Blue”; a sensação ainda alienígena de viver em Londres – onde o cantor se emocionara quando a esposa Dedé Gadelha chegou em casa com um pote de azeite de dendê – com os discos voadores de “London, London”;  a preocupação e falta da irmã no pedido de carta “Maria Bethania”. Em “If You Hold A Stone”, já mistura autoral com citação – estrutura de Transa – com a melhor versão de “Marinheiro Só” conhecida.

Fechando a obra, o Caetano antes contido e muito afetado por ter sido “convidado a sair de seu país” (uma expulsão nada velada) se solta na expressão mais artística de “Asa Branca”, com mais de sete minutos. Fora o adeus forçado à Rosinha e à Bahia, há 45 anos atrás.

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Caetano andando sem ter onde ir em Londres com Dedé Gadelha, sua esposa, na época
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