Fausto Fawcett e Os Robôs Efêmeros – Fausto Fawcett e Os Robôs Efêmeros (1987)

 

Nome: Fausto Fawcett e Os Robôs Efêmeros
Ano: 1987
Produção: Liminha
Músicos: Fausto Fawcett (voz), Pedro Leão (guitarra), Marcelo Lobato (bateria), Marcos Lobato (baixo), Carlos Laufer (guitarra e voz)
Faixas:
1.Gueixa Vadia
2.Tania Miriam
3.Drops de Istambul
4.O Rap d’Anne Stark
5.Kátia Flávia, A Godiva do Irajá
6.A Chinesa Videomaker
7.Estrelas Vigiadas
8.Juliette

As pessoas que conversam comigo sabem o quanto fiquei exigente com os anos 80 nos últimos tempos. Mas eis que fico de cara quando me deparo com um trabalho totalmente ímpar e desconhecido. Você que está lendo aí possivelmente está se perguntando quem é Fausto Fawcett ou quem são os tais Robôs Efêmeros do título do texto e pensando que nunca ouviu falar neles. Ledo engano, camarada, você com certeza já ouviu falar neles, talvez não dessa forma, mas já. O jornalista, escritor e compositor Fausto Fawcett – que se inspirou na atriz Farrah Fawcett para a escolha de seu nome artístico – criou alguns clássicos que apareceriam nas décadas seguintes. Com o mineiro Samuel Rosa, Fawcett compôs um dos grandes hits da banda Skank. Fausto assina junto de Samuel a composição de “Balada do Amor Inabalável”, canção que teve grande sucesso e apelo popular. Sua proximidade com a cantora Fernanda Abreu também fez seu nome dar alguns vôos. A carioca emplacaria um grande sucesso com “Rio 40 Graus”, parceria com Fawcett e o robô efêmero Carlos Laufer, constante parceiro do Fausto. Fernanda Abreu ainda gravou “Garota Sangue Bom” (Fausto Fawcett/Fernanda Abreu) e “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá” (Fausto Fawcett/Laufer). Além do citado compositor e guitarrista Carlos Laufer, os Robôs Efêmeros  contavam com os irmãos Marcos e Marcelo Lobato – respectivamente baixo e bateria, hoje integrantes do grupo O Rappa e o atualmente produtor e professor de música Pedro Leão na guitarra. O vanguardista Fausto Fawcett e Os Robôs Efêmeros mistura toda  a performance de Fausto Fawcett com um som totalmente experimental, calcado em gêneros como a New Wave e o Pós-Punk. A banda e a voz caminham com independência ao longo do disco. Fawcett dita suas poesias em tom musical enquanto a banda toca seu dançante e bem estruturado som. As letras são todas parcerias de Fawcett com Laufer, com exceção de “Estrelas Vigiantes”, parceria de Fawcett com Marcelo de Alexandre. Em suas temáticas, abordam o submundo carioca, em especial o bairro de Copacabana, com um ambiente meio futurista, exaltando algumas modernidades tecnológicas da época e figuras da cultura popular.  Com as rítmicas guitarras da intro de “Gueixa Vadia” o álbum começa. Com poucas variações na parte instrumental, Fausto narra a história de um turista que no meio de uma grande confusão se encanta e passa a noite com uma garota de programa. A música conta com um vocal de apoio feminino que canta os versos da “longínqua disco music sussurrada” – que na verdade trata-se de “Born To Be Alive”, do cantor Patrick Hernandez. A canção seguinte conta a história de “Tania Miriam”, que estava enquadrada na moda dos anos 80 e costumava grafitar as marquises de Copacabana. Aqui aparece a primeira citação de personagens que faziam parte da mídia da época. Nos versos de “Tania Miriam” são citados os Thundercats, nome de um desenho animado famoso na época.  Com melodias pesadas e recheada pelo slap do Marcos Lobato, a punk “Drops de Istambul” fala sobre as paranóias de um jovem carioca drogado e faz referência à Christiane F, famosa viciada alemã que teve sua vida retratada no filme “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída” (“Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo”).  Em “Rap d’Anne Stark” está o maior número de citações e referências. Na letra são lembrados o Hamlet, de Shakespeare e até a Furacão 2000, que por incrível que pareça, surgiu em 1982! A quinta faixa é aquela que a gente ouve e vê que ela já tinha uma direção certa. “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá” é por vezes referida como o primeiro rap brasileiro. Com uma qualidade obviamente maior do que o que ficaria conhecido como “rap” na década seguinte, a música começa com um sampler de teclado na intro e após um sonoro “UUH”, começa a linha base da música, com fraseados de slap no baixo, uma guitarra limpa e timbres de teclado característicos da época.  A história da loira assassina de Copacabana faz referência à Lady Godiva, figura histórica da Inglaterra e fez grande sucesso na época, ganhando até clipe no Fantástico. Uma das canções que chama muita atenção pela estrutura da sua letra é a seguinte, “Chinesa Videomaker”. Ao longo de sete minutos, Fausto narra cronologicamente o assassinato de uma garota chinesa. Curiosamente, no meio de toda essa narração, enquanto conta os hábitos da garota, aparentemente uma maníaca, que sequestra pessoas para chupar o sexo das mesmas, Fausto mostra outra influência do cinema. Antes da chinesa chupar um rapaz, ela o põe na frente de uma tela gigante com grampos nos olhos e os olhos do rapaz são massacrados por imagens de telejornais, uma referência direta ao método Ludovico, do filme “Laranja Mecânica” (“A Clockwork Orange”) de Stanley Kubrick (baseado no livro de Anthony Burgess), onde o protagonista Alex é obrigado a ver filmes sobre violência e estupro até chegar ao ponto que não consegue mais suportar esses atos. A penúltima faixa, “Estrelas Vigiadas”, tem um clima mais sombrio e conta de um encontro com uma loira americana do pentágono que vem ao Brasil para uma exposição no Copacabana Palace. Por incrível que pareça, após rap, punk, pós-punk e new wave, o disco termina com um samba. Na última faixa do disco, Fausto canta com Fernanda Abreu a música “Juliette”, um samba louco sobre a história de uma loira que não sabia ao certo quem era seu pai e em seguida é assassinada.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Brenda disse:

    sinceramente, grande parte do que eu absorvi de cultura musical até hoje eu devo ao Lucas, sério mesmo. ele busca e transmite informações das mais variadas, obscuras e interessantes. uma bagagem cultural impressionante que ele compartilha com quem quiser se dispor a ler, é quase que um trabalho filantrópico, haha. mas infelizmente, como ele mesmo diz “brasileiro tem prazer de ser ignorante”, nem todos sabem como é importante, além de encher a barriga, alimentar a mente. AVANTE, FOME ZERO CULTURAL!

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